5h… O dia começou com o ruído das panelas, odores de comida, falares e muitas risadas
femininas. Eram as jovens e mulheres a iniciarem a preparação do almoço. Este
em homenagem ao Padre Dehon, com
partilha de sabores europeus e africanos.
6h30 – Levantamo-nos cedinho (como sempre) porque tínhamos um longo e agreste dia pela
frente.
7h00 – Tomámos o pequeno almoço (reforçado, com papas
maizena) sós porque os três padres da
missão já tinham partido cedo para as comunidades.
7h30 às 13h30 -
Começámos logo a trabalhar que
nem “negros” na preparação do almoço,
hamburgers de atum, pizza, bolo de tangerina (fruta da época) e Ice tea (feito
com chá do Gurué). Uma ementa pensada pelo Chef Perry (“Pesadelos do Chef
Ramsay em África”) e que orientou o trabalho árduo na cozinha.
Na rua, as mulheres continuavam a confeccionar o almoço
africano, frango guisado e assado no churrasco, arroz branco e arroz rosado,
massa, feijão, eshima de mandioca (milho cozido esverdeado) intiqua (um género de esparregado, folhas de
mandioca, com camarões e coco), motxorro
(rato do mato).
Andávamos todos numa grande azáfama quer os voluntários (que trabalhámos que nem
negros) quer os locais (grupo de jovens do centro Juvenil) mas como em todos os
grupos, há sempre um elemento que faz que trabalha muito porém sempre surge
afazeres desaparece ou faz que não percebe que é preciso cooperar.
Do outro lado da casa, no salão (onde celebra-se a missa
em dias festivos) organizámos as mesas e cadeiras efetuando a decoração e as
mesas para o bufete de 180 pessoas. Como perante Deus, todos os homens são
iguais, só na Terra é que há pretos e brancos, não houve mesa de honra.
13h30-15h - Assim, durante o almoço as pessoas
sentaram-se onde quiseram. Os locais (aperaltados) serviram os pratos confeccionados por eles e
nós servimos os nossos a todos os
convidados. Observei que os africanos enchem os pratos de comida (uma autentica
pirâmide) porque só fazem duas refeições
por dia à exceção do “mata-bicho” (pequeno almoço).
Por fim, as “serveuses” Graça, Diamantina, Nanda, Cheila, Ceci, e o Nuno e Elsa, sentaram-se ao lado do Presidente Justino (sorridente e com uma alegria contagiante) e almoçaram da mesma forma que os locais, comemos com as mãos (o Justino tinha um garfo de plástico cor de rosa) e de tudo o que tinhámos direito, incluindo o motxorro que todos estávamos ansiosos por provar, exceto a Ana Paula, que disse-nos que só tinha penicado um pedacinho da comida europeia.
Devo dizer que o motxorro foi preparado mesmo para nós
provarmos, (não é o tempo do rato do mato) este tem um sabor parecido com a
codorniz. A Diamantina disse que
sabia-lhe a torresmos. Acrescento que comemos sem pêlos porque eles comem tudo,
pêlos, carne e ossos, não escapa nadinha.
Reparei que na mesa dos pequeninos, da Escolinha, os
pratos estavam cheiissímos de comida e eles só bebiam o sumo “Ceres” e comiam o
rebuçado, na comida nem tocavam. Nenhum encarregado de educação, sentado e a
marfar, socorria o seu filho.
Mais tarde olhei e notei que na mesa já não havia pratos
com comida. O que se passou? A situação que presenciei e que relato também
acontece na nossa terra. Os pais ficam com a comida dos fedelhos.
Enquanto arrumavam e limpavam o salão, para o
espectáculo, os pais e filhos foram inaugurar a Escolinha, agora a “Sala dos
Sonhos”, um projecto concebido pela Cheila e Cici. As duas estão de parabéns
pelo trabalho que deixam aqui no Alto-Molócuè. Quando as crianças entraram
mostraram umas carinhas de admiração e felicidade por terem tantos brinquedos
entre outros objectos. O Dino e o Sérgio explicaram aos pais o funcionamento da
sala e segundo a Cheila, o Dino tem muita vocação com as crianças, sabe muito
bem lidar com elas e o Sérgio foi um excelente orador perante os pais.
15h-18h – Decorreram as actividades preparadas pelos
jovens, sendo o apresentador o Justino, um jovem com futuro na politica porque
tem uma lábia de bradar aos céus. Nesse espectáculo, sobressaiu a música e a
dança como era de esperar em África. A
sala estava cheia e todos dançaram, crianças e adolescentes, mexendo de forma
sensual e cativante a anca, como sabem todos os africanos. De entre todos os grupos, sobressaíram os seguintes: “Os Putos da
Rebolation”, uma boys band dançante, “As
Fofas da Rebolation” e o grupo Coral “O
Religioso”, quatro rapazes, que puseram toda a sala em euforia.
18h30 - As
vésperas.
19h15 - Durante o jantar fizemos o balanço do dia, o qual
foi bastante gratificante para todos os
participantes.
19h35 - Como estávamos exaustos, o Pe. Juan, Nuno e Elsa,
e Ana Paula, foram imediatamente para a cama, porém as resistentes ainda
ficaram para um dedinho de bilhardice até às 22h30.
Graça Dias
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