domingo, 25 de agosto de 2013

23º dia - 25 de agosto

5h … ouvi barulho e vozes dos hóspedes porque a casa esteve cheia devido à peregrinação e festa na Igreja do Contestável, em Malua.
6h30/7h00 - Eu e a Diamantina levantamo-nos, fomos tomar o pequeno almoço, quando chegámos à sala já estavam todos sentados à execepção da Ana Paula, chegou vakina atrasada.
Comemos um repasto, com bolo de tangerina e bombons de caramelo feitos pelo Chef Perry.
7h45 – Preparámo-nos para irmos novamente para Malua, para a ordenação de um padre, porém a Diamantina ficou (umass dores no pescoço e ombro) e a Ana Paula, vekina e por causa do ekakela do face não foi.
A carrinha conduzida pelo Padre Onório ficou logo apinhada de gente à frente e na carroçaria aberta. Segundo soube, o condutor arrancou e não é que a Elsa e uma senhora caem abruptamente no chão. A Elsa magoou-se na anca e está a inflamatório, senhora não sei. Eu já fiquei preocupada e não fui para Malua. Mas também não podia ir porque a carrinha seguinte, conduzida pelo Padre Messias ficou imediatamente amontoada de gente. Portanto fiquei por cá e aproveitei para ler o livro Na berma de nenhuma estrada, do Mia Couto.
12h30 – Almoçamos, mas éramos pouquinhos, cinco, quando habitualmente temos uma mesa como a última ceia de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Entretanto os que tinham ido a Malua chegaram da prolongada missa, 4 horas de eucaristia, mas valeu a pena pois as missas são muito atractivas e participativas (cantam e cantam em elou). 
A Cheila enquanto esteve na missa aproveitou para ir fazer marrabas (tranças rentes ao couro cabeludo) no cabelo contudo fez poucas porque magoa bastante ao entrançar, apertam muito pois o cabelo de mucunha é escorregadio.
13h45 – Hoje, fizemos como os locais, fomos descansar como fazem os habitués Ana Paula e Padres e todos regozijamos com um belo dolce fare niente.
16h30 – Uns foram às compras para a confecção do lanche de despedida para os jovens mais ativos do Centro Juvenil. Pensámos num lanche europeu, sandes de atum, com alface e tomate; outras com queijo e fiambre; uma fatia de bolo e um refrigerante com gás.
18h – Só uma alminha é que apareceu, o Artácio, mais ninguém veio porque ficaram a xonar pois muitos passaram a noite em claro, estiveram em vigília. Então a comida comprada ficará para os lanches de amanhã.
18h45 – Como chegaram três hóspedes, o Padre Onório pediu voluntários para limpar os quartos, então eu, a Nanda e a Ana Paula, eheh, vestimo-nos de empregadas de limpeza e toca a fazer a faxina à nossa maneira, sempre supervisionadas pelo boss.
19h15 – Jantar, domingo à noite, sopa de abóbora, pizzas e cerveja, e para sobremesa, ananás.
Ficámos um pedacinho à conversa, sobre Moçambique, com os hóspedes.
20h30 – Hora do Vitinho porque amanhã o despertar será às 5h30 para partirmos às 6h para o Gilé, à procura de animais selvagens, eheheh.
Ps: Não há foto, há-de vir.

Graça Dias

sábado, 24 de agosto de 2013

22º dia - 24 de agosto de 2013

O dia de sábado começou em Quelimane para três voluntárias. O Pe Onório proporcionou uma visita guiada pela cidade, conhecemos alguns pontos históricos e também fomos ao mercado local. Depois de almoço partimos rumo ao Alto Molócuè, pelo caminho ainda parámos na Lagoa Azul, onde recolhemos búzios para oferecer aos colegas voluntários. A chegada já aconteceu pela hora de jantar. As voluntárias Diamantina, Graça  o Pe Juan participaram na peregrinação até Malua e o Pe Juan ficou de vigília durante toda a noite.

Fernanda

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

20º dia - 22 de agosto de 2013

O dia começou bem, mas terminou melhor ainda! De manhã o trabalho na escolinha, as crianças são mesmo o melhor do mundo! Pelo almoço a degustação de um bolo de banana confeccionado pela Paula, tava maravilhoso e contribuiu fortemente para os kilos que quase todos levamos a mais (e não é na bagagem!) J
Pela tarde, o Justino pagou a promessa de me levar à escola dele. Lá fomos nós a cortar caminho na sua 50. Da escola não deu para ver muito, porque o professor tinha dispensado os alunos mas deu para darmos um valente passeio e conhecer algumas casas da zona! Valeu.
Já quando o sol se pôs, e ajudávamos a preparar o jantar, repararmos que não havia água. O Pe. Onório saiu-se com um “Há crise de água” para os que estavam na cozinha. Perguntei ao cozinheiro se sabia o que é crise. Disse-me que não. Pensem nisso…
Beijinhos

Cheila

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

19º dia - 21 de Agosto

O dia correu conforme planeado. Durante a manhã fomos dar uma voltinha ao mercado da vila e como sempre ficamos perdidas no meio de tantos padrões e cores nas barraquinhas das capulanas. Durante a tarde decorreram as aulas, formações e o serviço de apoio à biblioteca, tudo dentro da normalidade e com muita afluência de jovens.
Cici

terça-feira, 20 de agosto de 2013

18º dia - 20 de Agosto de 2013

O dia começa com o cansaço da véspera, mas lá estamos todos para dar o nosso melhor a esta grande Família, que se chama ÁFRICA.
A Cheila começa com a escolinha, trabalho que durou até à tarde, o Nuno deu Empreendorismo, a Cici e Nanda na cozinha, a Graça e a Diamantina em trabalhos pela Ibis, o Padre Juan na biblioteca, eu deambulando pelos cantos da casa, ainda um pouco doente, mas já muito melhor.
A Elsa no seu trabalho que já dura por estes lados (5 meses), o Padre Onorio pela cozinha a ver o jantar.
A Nanda fez um caldo verde maravilhoso com a Cici, o jantar acabou com uma surpresa feita pelo Nuno, Sopa dourada (sobremesa) uma verdadeira delicia.
Hoje não houve assim nada de especial para ser contado, um dia muito tranquilo, tudo muito certinho, mas para mim é sempre mais uma aprendizagem, nesta terra com tantos sabores, cheiros, dizeres, costumes etc.

Ana Paula

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

17º dia - 19 de Agsoto

Hoje mais um dia intenso a visitar os lugares dehonianos da Alta Zambézia, onde tudo começou em 1946! Quando os dehonianos chegaram a Moçambique foi-lhes confiada toda a evangelização da Alta Zambézia e foram esses caminhos que percorremos.
Logo de manhã pelas 6h partimos rumo ao Guruè, com uma paragem na antiga missão do Ilè, agora confiada aos missionários da Consolata. Fizemos uma breve visita à igreja, com um esquema de arquitectura semelhante a outras por onde haveríamos de passar. É admirável ver a obra que estes primeiros missionários deixaram, obra que hoje nalguns lugares está votada ao abandono.
Chegando ao Guruè a inevitável visita à Santinha e Casa dos Noivos (ou o que resta dela, só paredes!), passando pelas extensas plantações de chá. O Guruè é isso mesmo: o verde das paisagens marcado pelas plantações de chá.
Depois almoçamos no Centro Polivalente Padre Dehon e fomos fazer uma rápida visita à nossa escola e oficinas! Um trabalho admirável que aqui é feito e que conta com a escola regular, um curso de agro-pecuária de três anos e alguns cursos de electricidade geral e mecânica auto. Também é relevante a carpintaria desta escola, com máquinas adequadas ao trabalho que aqui fazem e a zona de moagem quer do milho, quer das sementes de girassol que tanto produzem o óleo como também o alimento para os animais. Ficou por visitar a quinta em Mangone (alguns quilimetros do Guruè) onde os alunos do curso de agro-pecuária têm as suas aulas práticas.
Pelas 15h tomamos a estrada de terra batida de regresso ao Alto Molócuè, onde avistamos a antiga missão de Invinha, visitamos a nossa comunidade em Milevane que conta com 4 religiosos e 3 noviços, a escola agro-pecuária das irmãs em Mievane e a antiga missão de Nauela!
Um dia para visitar algumas das raizes dehonianas da Alta Zambézia!
Mais uma viagem super cansativa, sobretudo no Guruè e regresso ao Alto Molócuè por Milevane onde era impossível não acertar nos buracos da estrada!
Mas valeu a pena!
Mais uma vez... cansados mas felizes!
Amanhã retomamos as actividades normais no Centro Juvenil! Haja forças!

Pe. Juan

domingo, 18 de agosto de 2013

16º dia pelo Alto Molócuè - 18 de Agosto de 2013

O dia começou cedo como habitualmente. É domingo e estamos sem actividades letivas.  Às 06h00 já se diziam laudes e saímos com o padre Onório para a comunidade de Nassupi onde se diria missa dominical. Depois de uma pequena paragem para entrega de duas sacas de cimento e mais de 50km em estrada de terra, com três corajosas voluntárias na caixa de carga da carrinha, lá chegamos e fomos recebidos com cânticos de boas-vindas.
A missa que se iniciou daí a meia hora, foi especial porque comportou 6 batismos e uma primeira comunhão para além do habitual ambiente alegre e dinâmico que a liturgia comporta por estas paragens. Um frenesim, num espaço confinado, de terra batida, simples, pobre e ainda assim como nos sentimos “em casa”?!
São-nos dadas todas as atenções. Os mais novos ficam boquiabertos a olhar para estes “extraterrestres”. Os adultos esforçam-se por nos darem todas as explicações bem como o maior conforto. Sentimo-nos até constrangidos, pois as cadeiras são para nós (um luxo), trazem-nos água para nos lavarmos, e oferecem uma refeição de arroz, eschima e frango na melhor casa que ainda assim não terá mais de 9 metros quadrados e 2,20m de pé direito, com paredes de adobe e cobertura de capim.
Chegados ao carro, temos a caixa de carga com bananas e galinhas para companhia dos voluntários! Regressamos ao Alto Molócuè para descarregar os víveres e preparar a saída da tarde.
À chegada à Pequena Família da Ressureição, o irmão António recebeu-nos calorosamente, tendo interrompido a Noa e disponibilizou-se para guiar-nos até à obra do mosteiro masculino. A propriedade é grande e ainda fizemos 5 minutos de carro até chegar ao local onde se erguem paredes a blocos de cimento (uma raridade por estas partes), feitos no local artesanalmente :o e depois de montados, são revestidos a pedra para um aspeto estético mais simpático para além de uma manutenção inexistente.
Foi no espaço onde se situará o claustro que perguntamos, o que faz um monge? “Nada!” – disse o irmão António. “Aqui contemplamos a vida, buscando incessantemente Cristo e lidamos com o nosso maior inimigo, o interno.”
Estou certamente a resumir em meia dúzia de palavras uma resposta mais longa e profunda mas será tanto quanto me lembro de ouvir…
Depois decidiu-se subir até à parte superior do monte Rurupi, o que foi uma aventura pois o percurso está coberto de capim e a tração integral teve de ser requisitada. Algum tempo depois chegámos a uma plataforma natural onde nos deslumbramos com o cenário paisagístico e como sempre com um entardecer fantástico com o sol de um lado do monte e a lua do outro.
E como já entardecia, rapidamente descemos, sem evitar parar no pomar de toranjas para recolher uma saca e uma paragem junto ao mosteiro actual, onde fomos recebidos por toda a comunidade e presenteados com um bolo e sumo de limão de outra dimensão.

E assim regressamos a casa. Até amanhã!
Nuno Perry