sábado, 11 de agosto de 2012

Sábado, dia 11 de Agosto de 2012. Pois é … cá estamos nós aqui de novo neste espaço para partilharmos um pouco do que tem sido a nossa experiência no Alto Molócué.
Esta manhã foi de grande azáfama na cozinha! Bolos e sobremesas, sob orientação da chefe de cozinha “voluntaria Isabel” . O motivo de tanta agitação? A “nossa” Marlin comemora hoje o seu aniversário e há que surpreender! Para além dos nossos voluntários, um grupinho de jovens desta comunidade também veio ajudar a realizar esta tarefa. Ajudaram a confeccionar os bolos, para os jovens que amanhã irão receber o crisma, aqui na capela do Centro Juvenil. E como o ambiente era de festa, a Marta presenteou-nos com o tão característico bacalhau, trazido da Madeira. Para enriquecer mais a nosso banquete, o Gonçalo partilhou o bolo de mel, confeccionado pela sua mãe e a Isabel mimou-nos com a deliciosa "barriga de Freira" acompanhado pelo vinho Madeira oferecido pelo Sr. Pe Juan.
Durante a tarde, alguns voluntários, como já se vai tornando habito, foram dar formação aos jovens que frequentam o centro; enquanto os restantes, organizaram e arrumaram todo o material pertencente ao escritório do Sr. Pe Onório. Hoje foi também dia de fascina, para todo o grupo. Lançamo-nos a assear os nossos aposentos com um detergente que encontramos milagrosamente no mercado da localidade.  No final da tarde assistimos à eucaristia celebrada pelo Sr. Pe Juan. Logo depois, voltamos a preencher a cozinha, com os afazeres do especial jantar, hoje dedicado à nossa aniversariante.
O jantar foi de pompa e circunstância! Oferecemos à festeira o que de melhor conseguimos: uma capulana recheada de carinho e muita alegria!
E como o voluntariado exige algum sacrifício, queria aqui deixar uma homenagem à minha filha Luana, que está na Madeira e que completa amanhã o seu 10º aniversário! Com um aperto no coração, mas certa que ela compreenderá, que não estar presente no seu aniversário é por uma boa causa!
Saudações Molócuénas!!!
Nélia Cardoso

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

E a vida continua no Alto Molócuè


Sexta-feira, dia 10 de agosto. Mais um dia começa no Alto Molócuè e logo pela manhãzinha ouvem-se os primeiros cacarejares do galinheiro improvisado para acolher as galinhas oferecidas ao D. Francisco nas suas visitas às comunidades.
Diariamente vamos tendo a actualização de crismas que o bispo vai fazendo: até agora o record já vai em 370 crismas numa só celebração (que normalmente reúne várias comunidades). E podemos dizer que a procissão ainda vai no adro, pois ele continuará a crismar até 26 de agosto.
Por isso também diariamente a população do galinheiro vai aumentando.
Mas deixemo-nos de divagações. Tal como ia dizendo logo pela manhã tivemos as laudes. Hoje um pouco mais tarde (às 6.30h) pois teremos um momento de retiro (com adoração e missa) na parte da tarde. Temos motivos de festa e o responsável é S. Lourenço pois hoje é o seu dia (é o padroeiro das nossas camacheiras Cláudia e Nélia).
Hoje não há actividades no Centro Juvenil que está encerrado para limpezas. Por isso o nosso dia foi empregue em actividades várias.
Em primeiro lugar, continuamos as nossas obras de transformação da Escolinha. Durante o dia houve oportunidade para limpar o chão, envernizar as cadeiras e mesas, comprar capulanas para as cortinas da dita Escolinha… Uma sala que está dia a dia em constante transfiguração.
Outro momento apreciado do dia foi a visita colectiva ao mercado para compra de capulanas e outras coisas comestíveis e bebíveis. Esta visita foi motivada pelo eminente aniversário de uma das nossas voluntárias, a Marlin. Nem imaginam a dificuldade que foi ter de comprar uma capulana que ela gostasse sem a própria se aperceber que era para ela!!!
O momento central do dia foi o retiro que ocorreu na parte da tarde. Neste participaram os padres da comunidade, os voluntários e alguns jovens da paróquia. Ao todo umas 30 pessoas. Constou de 3 momentos: uma reflexão sobre o Pe. Dehon e seus traços característicos, seguido por um momento de adoração e concluindo com a missa. Um tempo diferente para alimentar o nosso interior e conhecer esta fascinante figura que é o Pe. Dehon.
Para finalizar o dia, fomos dar uma volta pelo Alto Molócuè by night. Não é que haja muita coisa… mas deu para nos divertirmos jogando um bilhar na zona do Céu Azul e abanar um pouco o esqueleto na discoteca local “Escondidinho”. Eramos quase os únicos, por isso a pista ficou por nossa conta.
Como se diz em Portugal: é sexta-feira… yeah!!!

Pe. Juan

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A Pintura



A primeira atividade do dia, de carácter facultativo, iniciou-se com a missa realizada pelo Padre Onorio.  A palavra sagrada para o dia de hoje abordava a nova aliança entre o Homem e Deus, proclamada pelo profeta Jeremias. A manifestação do Amor do Homem para com Deus não será somente através das aparências externas, mas estará inscrito na sua Alma e no seu Coração, na sua disponibilidade interior.

E foi neste contexto do apelo do salmista em cultivar um coração puro e generoso para Amar Deus, que o grupo de voluntariado foi convidado a mais um dia de serviço, no Centro juvenil do Padre Dehon, nas diversas atividades os quais estão distribuídos, segundo as suas capacidades.

Na Escolinha, onde estão envolvidas trinta e sete crianças com  idades compreendidas entre os três e os cinco anos e dois professores que frequentemente as acompanham, no dia de hoje os voluntários  realizaram diversas estratégias de aprendizagem lúdico pedagógicas com as crianças. As técnicas aplicadas foram: dança, canções, jogos, pintura. Na parte da tarde o trabalho continuou, mas desta vez para "transfigurar" a sala 2 da Escolinha, mesas e cadeiras foram pintadas com diversas cores.

De igual forma, houve aulas de Música e de Saúde do Corpo Humano e assistência a biblioteca. Na  informática continuam as configurações e atualizações dos computadores existentes.

Relativamente as aulas de Dança, nesta quinta feira foi a vez do grupo de dança (Zouk) do Alto Molocué partilhar a sua experiência musical e artística com o grupo de voluntariado. Este encontro foi além de muito alegre, extremamente enriquecedor, dado ao intercâmbio cultural e ao sentimento de amizade resultante de um ambiente de fraternidade.

Assim finaliza-se mais um dia de aventura, relembrando as palavras  com que começamos o dia de hoje: aqueles que forem Puros de Coração serão aqueles que desfrutarão de uma profunda experiência com Deus, tal como está escrito na Bíblia « Felizes os puros de coração, porque verão a Deus» (Mt 22,37). Nesta frase encontram-se três palavras fundamentais, Felicidade, Puros de Coração e Deus. De facto e de acordo com Pe. Adérito Barbosa (2008) "o desejo de ser feliz parece estar gravado no mais profundo do nosso coração (...) uma felicidade duradoira, do aqui e agora".
Marlin

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A manhã foi marcada pela continuidade dos trabalhos que têm vindo a ser desenvolvidos. Aos poucos os computadores têm vindo a ser reconfigurados e com a ajuda de algumas peças de um computador estragado, tudo indica que se conseguirá um computador extra a trabalhar.

As crianças adoraram a sala decorada com as suas mãos expostas na Escolinha… bem como estão a adorar a presença dos voluntários, sentando-se em cima dos mesmos, até não haver segmento corporal disponível (leia-se 4 ou 5 em cima de um voluntário).



Pela tarde fomos à IBIS, uma organização não governamental que ajuda no desenvolvimento comunitário. Esta organização dá formação através da elaboração de cursos. Um destes cursos, é o de alfaiate, onde as peças produzidas podem ser vendidas. O Rúben e a Halszka aproveitaram para fazer algumas encomendas, bem como o Gonçalo que aproveitando a oportunidade também tirou as suas medidas para uma camisa.


No regresso, vimos uma barragem que tem uma história muito interessante. Reza a lenda que vive uma cobra gigante, quando alguém atravessa a barragem esta cobra morde a sombra da pessoa, provocando a sua queda. Quando a pessoa cai para o lado cheio morre afogada, quando cai para o lado vazio morre devido à queda. O Rúben apressou-se então a nos revelar o segredo científico da barragem. Não passa tudo de álcool a mais!! Ficou marcado para um futuro próximo a nossa travessia na barragem, para comprovar o dito.


Pelo caminho fomos provando várias iguarias locais, badjyas, gulamodjamos, biscoitos e doce de coco. Tudo em pequenas quantidades ou não fossemos criar alguma reacção indesejada ao nosso organismo. Conseguimos também comprar leite condensado que nos permitiu fazer uma fabulosa mousse de toranja. Esta foi aprovadíssima pela comunidade, incluindo o Sr. Bispo. A contrapor a sobremesa do dia anterior (crumble de banana) que levou sal em vez de açúcar por engano… em que o primeiro a provar foi o Sr. Bispo (ups :X)

Entretanto, por volta das 17h fomos à missa celebrada pelo Pe. Juan aos jovens da comunidade. Tudo correu lindamente, até que uma comunidade de moscas decidiu participar, incluindo um besouro nunca visto (por nós mukunias claro). Este não era da simpatia da Marta e a fez fugir da missa em pânico quando este a sobrevoou. Depois lá ela teve coragem de voltar, para em seguida ser picada nas costas pelo besouro.
Finalizamos as nossas actividades com danças tradicionais madeirenses e cantigas portuguesas no salão com muitos jovens a dançar.

Gonçalo Aguiar

terça-feira, 7 de agosto de 2012


Tendo-se iniciado no dia anterior a observação no Centro Juvenil, e até alguma intervenção,  hoje o dia foi para oficialmente iniciar os nossos projectos.

Alguns começaram o dia às 6 horas da manhã acompanhando as laudes e a missa, como é habitual diariamente.

Hoje o dia foi muito positivo, dada a aprendizagem verificada de uma forma bidireccional. Partilhámos os nossos conhecimentos e a nossa grande vontade de implementar projectos novos, e recebemos vontade de aprender e feedback com um contexto divergente do Europeu. Isto ajudou-nos a crescer e obrigou a sair do nosso padrão de formatação para nos inserirmos numa outra forma de estar cultural.

Um exemplo foi um acontecimento do dia, onde houve um frequente corte de luz e água e foi necessário interromper tarefas onde a energia era essêncial, dando lugar aos trabalhos manuais. Por outro lado também positivo, porque todos assim contribuiram para a decoração da Escolinha, onde recortaram-se as mãos decalcadas através da pintura, dos meninos e das meninas, e depois pendurados. A escolinha ficou mais bonita... as crianças amanhã irão agradecer.

Antes do almoço a Marta, Gonçalo, Rúben e Halszka foram até o mercado para a compra de alguns artigos, onde encontraram alguns elementos habituais, sendo exemplo as badgias (bolinhos de feijão com piri-piri);  gulamo djamo (género de malassadas); amendoins torrados; vários tipos de feijão; legumes; roupas; artigos de higine e ratinhos pretos em molhinho “mutxoro”. Tendo sido frequentemente acompanhados por pessoas da localidade e a serem chamados por “mukunia”, ou seja branco (pois a presença de pessoas de raça branca no mercado não é habitual).

O dia foi então finalizado com a aula de Dança Criativa orientada pela Marta e pela Nélia, com sucesso entre os jovens, às 18h.



Marta Freitas
 A jantar com o Sr Bispo que nos veio visitar

 como ficamos no fim do dia...Todas de lingua de fora,.....

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

6 de Agosto - Início de actividades


O dia começou bem cedo com as Laudes, seguido de missa onde foi celebrado o dia da Transfiguração do Senhor. Durante a homilia foi referido pelo Pe. Onorio que a presença dos voluntários na Missão do Alto Molócué pode ser considerada a procura de uma possível forma de transfiguração.
Foi o dia em que os voluntários iniciaram os seus trabalhos de intervenção no Centro Juvenil: a Isabel e o Gonçalo estiveram ocupados a verificar o estado dos computadores da Sala de Informática; a Nélia, a Marta e a Marlin estiveram a realizar actividades na Escolinha; a Cláudia esteve a dar apoio aos alunos que frequentam a Biblioteca; o Pe. Juan esteve a supervisionar o grupo e ocupado com alguns afazeres religiosos relacionados com os frequentadores da Missão, também  participou no jogo de volei. Para finalizar o primeiro dia de trabalho, a Marta orientou uma aula de aeróbica e dança, onde os jovens em conjunto com os restantes voluntários divertiram-se imenso.
Tivemos oportunidade de visitar o rio Molócué, acompanhados pelo Rubén (“que já conhece os cantos à casa”), também voluntário que já se encontra na missão acompanhado pela Halska desde o mês de Abril. Neste passeio tivemos oportunidade de conhecer o bairro vizinho da Missão e observar algumas das tarefas do dia-a-dia dos habitantes locais. É no rio que as mulheres lavam a roupa e fazem a sua higiene em conjunto com as crianças, enquanto que os homens tomam banho sempre a montante.
Ao fim da tarde a comunidade local reuniu-se para receber a visita do Bispo do Gurué, Dom Francisco, que permanecerá cá durante o mês de Agosto. Foi recebido em clima de festa que é tão característico do povo moçambicano: canções, batuques, palmas e muita dança.
O Pe. Elia Ciscato regressou hoje a Nampula, após nos ter acompanhado durante estes primeiros dias. O seu testemunho riquíssimo sobre a cultura Lomwé foi e é importante para a nossa integração no meio onde estaremos a intervir diariamente durante este mês.
Após o jantar, o Pe. Juan pegou na viola e com a sua alegria contagiante tocou e cantou o seu vasto reportório, acompanhado pelos voluntários.

Cláudia Sá

domingo, 5 de agosto de 2012


No meio do nada, uma igreja avistada de todo sitio, dedicada ao Santo Contestavel...
Hoje, domingo dia 05 de Agosto deslocámo-nos a 2 diferentes localidades logo pela manhã.O grupo de voluntarios dividiu-se em 2 semi-grupos: padre Juan, Gonçalo, Isabel e a Marta, com a companhia do padre Damião, deslocaram-se à comunidade Muriko - Namulha. O outro grupo de voluntários: Nélia, Claudia e Marilin foram até à comunidade Muriko-Ntxone ,com a presença do padre Onorio.
Pela tarde quando nos reencontramos, fomos de opinião geral que regressamos mais ricos a nivel pessoal e social.
Em Muriko-Ntxone a cerimonia dominical, foi celebrada alegremente com a realização de 3 casamentos e 30 batismos. Os noivos apresentavam-se com a seguinte indumentária: Mulher - vestido branco com uma especie de véu curto da mesma cor, um cinto de pele , cor vermelho,  preto e outro em tecido  estampado. Já o noivo, trazia vestido um fato escuro (azul escuro e preto) com uma gravata colorida. As noivas calçavam sapatos variados (desde sapatilhas, chinelos de plástico etc), os homens com sapatos escuros. Os noivos também foram os protogonistas dos batismos juntamente com os seus filhos e outras pessoas pertencentes ao grupo. Os batizantes que eram crianças pequenas, jovens e adultos tambem traziam vestido roupa branca, onde as meninas adornavam a cabeça com um véu. Curiosamente, durante toda a cerimónia, tanto os noivos como os batizantes mantiveram sempre a mesma postura : cabisbaixos, e sem reação ao que se ia passando . Por vezes notava-se que adormeciam sentados, tal era a sua imobilidade.
De referir ainda, e segundo a informação dada pelo padre Onorio, que estas vestes não são as genuínas. As capulanas foram substituidas por uma imitação dos vestuário dos povos ocidentais. Esta situação  resulta do fenómeno da colonização. Depois da cerimonia que foi entoada por vozes espetaculares bem como otimos dançarinos a comunidade reuniu-se à nossa volta com muita curiosidade e alguma timidez. Foi-nos oferecido um almoço, sem direito a talheres e com o que de melhor havia: galinha, xima, e arroz. Foi uma experiência cheia de surpresas e inovação onde todos saimos satisfeitos.
                                                            por  Nélia Cardoso
Eu acrescento apenas que em  Muriko - Namulha foi o mesmo e que os véus das noivas eram cortinas. e todos usavam óculos e sombrinha ...
Vamos tentar postar fotos, logon que consigamos

sábado, 4 de agosto de 2012

Dia 3 - A inculturação continua


A noite passada foi animada. Após o encontro com o Pe. Carlitos algumas cabeças começaram a funcionar a alta rotação e começou o turbilhão de ideias que se prolongou um pouco pela noite fora. Foi necessário que os inquilinos do rés do chão da casa dos voluntários manifestassem o seu gosto por dormir… depois de alguns cochichos tudo voltou ao normal. E Assim dormimos como anjinhos.
Este dia foi marcado pela continuada inculturação com o Pe. Ciscato. Na parte da manhã, em duas sessões, o nosso antropólogo falou-nos dos funerais, ritos fúnebres e culto aos mortos, algo importante da cultura tradicional dos lomwe. Não pensem que foi um discurso depressivo, pois é isso que se pensa quando falamos em morte!
Em primeiro lugar a morte é vivida como um acontecimento familiar e comunitário. O grito e o choro iniciais são um alerta aos familiares que vivem ali perto e que acorrem em sinal de solidariedade.
Em segundo lugar, a morte é vista como passagem, como algo natural da vida humana, começando assim uma nova realidade. Por isso, eles fazem da sepultura uma segunda casa, onde colocam os utensílios que a pessoa falecida usava e precisará para a nova realidade que começa.
Em terceiro lugar, a morte marca para a família um novo começo. Normalmente os familiares mais próximos rapam o cabelo (a não ser que se suspeitem de culpa pela morta da vítima) e vão tomar banho ao rio. Há algumas situações em que a casa da pessoa falecida é destruída, tendo os outros membros dessa casa ter de construir uma nova casa. É o início de uma nova vida.

Na parte da tarde fomos visitar um dos locais significativos da presença dos dehonianos em Moçambique. Estivemos naquele lugar que foi a primeira comunidade dos missionários dehonianos em Moçambique. Refiro-me a Malua, a poucos quilómetros do Alto Molócuè.
Nesse local destaca-se uma imponente igreja, que em tempos foi o centro da missão, onde acorriam todas as comunidades para a celebração da eucaristia dominical.
A partir dos anos 70, com os influxos do Concílio Vaticano II os missionários começaram a deslocar-se às pequenas comunidades, método que actualmente conhecido pelas comunidades ministeriais. Hoje esta grande igreja é só usada pela comunidade local regularmente e sendo actualmente um santuários de devoção a Maria Rainha do Mundo.
Entusiastamente o pe. Ciscato falou-nos dos primeiros anos dos missionários e de algumas aventuras durante o período da guerra civil.

Assim finalizamos a nossa inculturação massiva que o pe. Ciscato nos fez. É um privilégio uma oportunidade como estas para conhecer uma cultura, com a simplicidade e sabedoria prática de um homem que há tantos anos vive com este povo.
O nosso grande obrigado ao pe. Ciscato e ao seu testemunho simples e autêntico.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Chegada e inserção no Alto Molócuè

Eram meia-noite e três minutos do dia 2 de agosto, estávamos a chegar à comunidade do Alto Molócuè.
Para trás ficaram dois dias de viagens. Saímos da Madeira às 7.30h, com uma pequena paragem em Alfragide para o almoço e às 17.50h iniciávamos a viagem rumo a Moçambique, com escalas no Dubai, Dar es Salam (Tanzânia), Pemba e Nampula. Diríamos que é uma viagem para recordar, onde se tocaram os extremos de aeroportos magníficos (Dubai) e aeroportos confusos (Dar es Salam). O importante é que conseguimos chegar ao fim (Nampula) sãos e salvos com todas as nossas bagagens. A juntar à viagem de avião tivemos a viagem de carro de 2h e meia até o Alto Molócuè com algumas peripécias… acidente entre camião e carro (não o nosso felizmente) e alguns arrepios de frio!
A primeira manhã foi para o repouso do corpo e conseguirmos acertar o nosso horário de sono perdido.
Depois do almoço começamos a nossa primeira actividade que ocuparia os dois primeiros dias com o pe. Ciscato. O pe. Ciscato é um missionário que está há mais de 40 anos em Moçambique e especializado em antropologia cultural. Ninguém melhor do que ele para nos ajudar a entender e perceber a bonita cultura deste povo, mais especificamente da cultura Lomwe.
Esta formação dividiu-se em dois blocos: o primeiro bloco com uma introdução teórica geral da cultura lomwe e o segundo bloco com uma extensiva visita de campo junto da população.
Uma formação muito rica, sobretudo a parte prática, em que pudemos não só conhecer os costumes em si como a cumplicidade que o Pe. Ciscato tem com esta gente. Um homem acolhido e respeitado por este povo… um grande testemunho de vida do trabalho deste missionário junto das comunidades.
Na tarde do nosso segundo dia tivemos uma reunião com a comunidade religiosa para conhecermos os seus elementos e trabalho de cada um: pe. Onório, o superior e ecónomo da comunidade; pe. Messias, responsável pela coordenação do trabalho da paróquia e comunidades (a missão do Molócuè é constituída por cerca de 300 comunidades); pe. Carlitos, o coordenador do Centro Juvenil Padre Dehon; pe. Damião, recém chegado à comunidade (desde junho de 2012). Também foi a oportunidade para que a comunidade conhecesse melhor cada um dos voluntários e suas espectativas.
Finalizamos o nosso dia com um encontro com o responsável do Centro Juvenil, o pe. Carlitos, que nos explicou em pormenor o funcionamento do centro. A partir dessa partilha começamos a inserir-nos cada um num trabalho específico.
Bem… por enquanto já chega. Continuem blogados pois prometemos mais novidades.
Como saúdam as crianças por estas bandas… tataaaaa


Este é o nosso quarto que dá para o centro do edificio representado nesta foto









quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Chegámos todos bem. Acho que foi um milagre depois de ver como são os aeroportos depois du Dubai....
Já temos net ainda não consigo a imagem mas logo á noite estará tudo. Até logo

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Voluntariado em Moçambique - Agosto de 2012


Partilho convosco este texto que foi publicado no suplemento "Pedras Vivas" da edição de 29 de julho do "Jornal da Madeira":



A ALVD (Associação Leigo Voluntários Dehonianos) promove este verão algumas experiências de voluntariado em Moçambique e em Angola. Estão envolvidos alguns grupos do continente (Lisboa, Coimbra e Porto) e um grupo da Madeira.
Mas para aqueles que nunca ouviram falar desta associação certamente estarão curiosos em saber quem são.
Pois bem, a ALVD é uma associação sem fins lucrativos, sob a orientação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (dehonianos), e que tem como objectivo a promoção do voluntariado missionário (que quer dizer voluntariado fora de portas). O nosso campo de acção é essencialmente os lugares onde já existem comunidade dehonianas em Moçambique e em Angola.
A associação já existe desde o ano 2000 e concretamente na Madeira começou a sua acção (como núcleo regional) desde 2006.

A ALVD – Madeira prepara-se neste momento para iniciar mais uma experiência de missão no Alto Molócuè, provincia da Zambézia, a norte de Moçambique. Essa experiência de voluntariado terá lugar durante o mês de agosto. Os voluntários partem da Madeira no dia 31 de julho e regressam no dia 1 de setembro. Neste momento a associação tem outros dois voluntários (o Ruben e a Halszka) que partiram em abril e regressarão em dezembro.
O grupo de agosto é constituído por 7 pessoas, de várias áreas profissionais, idades heterogéneas e diferentes locais geográficos: um sacerdote (Pe. Juan), responsável pelo núcleo da associação na Madeira; dois professores de 3º ciclo e secundário (Gonçalo e Marlin); uma professora universitária (Isabel Portugal); uma engenheira ambiental (Cláudia); uma fisioterapeuta (Marta) e uma educadora de infância (Nélia).
O que une todas estas pessoas é uma imensa vontade de fazer uma experiência de missão, ir para longe fazer voluntariado.
Está próximo o momento da partida e para trás ficou um longo percurso de formação. Desde setembro do ano passado este grupo tem feito uma caminhada de auto e inter conhecimento, aprofundando os objectivos da associação e da espiritualidade dehoniana, projectando o trabalho a ser realizado no campo de missão.
Ao longo deste ano também foram muitas a iniciativas de angariação de fundos e divulgação da associação em vários pontos da ilha.

A bagagem vai cheia de desejos e sonhos… de dar algo de nós, mas sobretudo preparados para receber muito.
O grupo leva um plano de acção que incidirá na colaboração com o Centro Juvenil Padre Dehon, que funciona na missão dos dehonianos. Desde a área da informática (formação e apoio técnico), a formação em áreas de educação e pedagogia, a animação sócio-cultural, a formação dos jovens que frequentam o Centro, o apoio naquilo que for necessário no Centro Juvenil.
Outra dimensão importante que será privilegiada é o acompanhamento dos missionários nas suas visitas às comunidades ao fim de semana e a colaboração na dimensão da evangelização.
Um mês não é muito mas é aquele que estes voluntários têm disponível para realizar o seu sonho. Quem sabe se no futuro não poderão fazer uma experiência mais prolongada…

Um último pedido a todos vós: acompanhem cada um destes voluntários com a oração e a amizade.
Quando chegarem certamente terão muito que partilhar …

Ubuntu

Ubuntu (Zulu/Xhosa pronunciation: [ùɓúntʼú]; English: /uˈbʊntuː/ oo-BUUN-too) or "uMunthu" (Chichewa) is an African ethic or humanist philosophy focusing on people's allegiances and relations with each other. Some believe that ubuntu is a classical African philosophy

Definition
Ubuntu: "I am what I am because of who we all are." (From a definition offered by Liberian peace activist Leymah Gbowee.)
Archbishop Desmond Tutu offered a definition in a 1999 book.
A person with Ubuntu is open and available to others, affirming of others, does not feel threatened that others are able and good, based from a proper self-assurance that comes from knowing that he or she belongs in a greater whole and is diminished when others are humiliated or diminished, when others are tortured or oppressed.
Tutu further explained Ubuntu in 2008:

One of the sayings in our country is Ubuntu – the essence of being human. Ubuntu speaks particularly about the fact that you can't exist as a human being in isolation. It speaks about our interconnectedness. You can't be human all by yourself, and when you have this quality – Ubuntu – you are known for your generosity. We think of ourselves far too frequently as just individuals, separated from one another, whereas you are connected and what you do affects the whole World. When you do well, it spreads out; it is for the whole of humanity.
Nelson Mandela explained Ubuntu as follows:
A traveller through a country would stop at a village and he didn't have to ask for food or for water. Once he stops, the people give him food, entertain him. That is one aspect of Ubuntu, but it will have various aspects. Ubuntu does not mean that people should not enrich themselves. The question therefore is: Are you going to do so in order to enable the community around you to be able to improve?
Tim Jackson refers to Ubuntu as a philosophy that supports the changes he says are necessary to create a future that is economically and environmentally sustainable:
Judge Colin Lamont expanded on the definition during his ruling on the hate speech trial of Julius Malema:
Ubuntu is recognised as being an important source of law within the context of strained or broken relationships amongst individuals or communities and as an aid for providing remedies which contribute towards more mutually acceptable remedies for the parties in such cases. Ubuntu is a concept which:
  1. is to be contrasted with vengeance;
  2. dictates that a high value be placed on the life of a human being;
  3. is inextricably linked to the values of and which places a high premium on dignity, compassion, humaneness and respect for humanity of another;
  4. dictates a shift from confrontation to mediation and conciliation;
  5. dictates good attitudes and shared concern;
  6. favours the re-establishment of harmony in the relationship between parties and that such harmony should restore the dignity of the plaintiff without ruining the defendant;
  7. favours restorative rather than retributive justice;
  8. operates in a direction favouring reconciliation rather than estrangement of disputants;
  9. works towards sensitising a disputant or a defendant in litigation to the hurtful impact of his actions to the other party and towards changing such conduct rather than merely punishing the disputant;
  10. promotes mutual understanding rather than punishment;
  11. favours face-to-face encounters of disputants with a view to facilitating differences being resolved rather than conflict and victory for the most powerful;
  12. favours civility and civilised dialogue premised on mutual tolerance.
Marta
Formação Académica:

2003 – Licenciatura em Fisioterapia

2004 – Formação na área do Fitness

2011 – Mestrado em Actividade Física e Desporto

 Áreas de Interesse:

- Actividades na Natureza; Fotografia; Dança e Arte; Agricultura; …

O meu desejo de realizar voluntariado em Àfrica teve inicio em 1997. Em 2010 conheci a Associação de Leigos Voluntários Dehonianos (ALVD), data na qual decidi concretizar o desejo de realizar este voluntariado.

Porquê voluntariado em África?
Sinto que em África os conhecimentos nas diversas áreas, que fui adquirindo ao longo da vida, serão importantes de partilha. Durante esta missão poderei apoiar outras pessoas como “Marta”, e não como “Marta Fisioterapeuta / Instrutora”. O rótulo colocado pela nossa sociedade não será relevante em África, estarei presente como “Marta”, ser humano que foi adquirindo conhecimentos em várias áreas de interesse e que foi construindo um conjunto de valores, que agora humildemente poderá partilhar entre indivíduos que não tiveram igual oportunidade de alcançar determinada informação e formação, ajudando-os no seu crescimento e desenvolvimento, e consequentemente na construção de uma sociedade mais consolidada nessa localidade.
Estando inserida numa sociedade onde os valores que me foram transmitidos nem sempre são praticados, levou-me a distanciar da componente espiritual e aproximar-me da material. Assim esta missão, que ALVD permite, desde o seu período de preparação tem me apoiado na reaproximação à componente espiritual e humana, que considero de extrema importância para me tornar num humano mais completo, e que me permite ser melhor cidadã, melhor profissional e melhor “pessoa”.
Ser voluntário é ter a capacidade de se descentralizar em prol do outro, em prol de uma acção. O desenvolvimento como voluntária e a aquisição das competências que o voluntariado permite, exige uma capacidade de concentração e desfoque das outras actividades da nossa vida, como quando estamos a realizar qualquer actividade. Ser voluntário não pode ser algo a realizar quando existe tempo livre, mas através da programação de um determinado tempo que decido dedicar a uma determinada acção sem um fim lucrativo. Assim considerei que em África conseguiria uma maior dedicação e foco, desconectando-me com maior facilidade de outras actividades que realizo diariamente, podendo assim neste período que decidi dedicar ao voluntariado (o das minhas férias) adquirir de melhor forma e mais rapidamente estas competências pretendidas.
Por fim, acredito que quanto maior for a diversidade de experiências vivenciadas e quanto mais vezes o ser humano sair da sua zona de conforto, dando o melhor de si com todo o seu coração, maior será a sua construção, crescimento e maturação. Assim acredito que África, especificamente o voluntariado no Alto de Molocué, em Moçambique, me ajudará a crescer, dada a sua realidade ambiental e cultural divergente.